Descrição

Histórias de viagens ilustradas com fotografias

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Diversas perspectivas

Os textos seguintes foram escritos em sequência, encadeados uns nos outros. Mais do que visões diferentes, mostram quão livre é o pensamento, que absorve avidamente as sensações que os sentidos lhe transmitem e depois dá asas à imaginação, transformando um pequenino pormenor numa nova história de encantar.

Crónica de uma viagem anunciada

A realidade estava ali quase à minha frente e eu não a vi, ou pelo menos não a vi logo. Como é que poderei falar da realidade, sendo eu tão distraído? Só poderei falar da minha visão ou do meu entendimento da realidade.

A realidade era branca, tinha quatro patas, uma delas arqueada, tocando apenas levemente o chão com a ponta do casco, uma cabeça com duas orelhas espetadas e uma cauda, que abanava vagarosamente.

Alguns instantes antes passámos por outros dois exemplares da raça equestre que pastavam num campo sobranceiro à estrada. Realidade ou imaginação minha, pois só eu os vi.

Para a história deste passeio fica o relato de uma viagem de carro de pouco mais de duas horas transcorrida sem qualquer sobressalto, uma volta por Peniche, um almoço e mais uma volta por diversas localidades e praias circundantes de Peniche. Tudo isto acompanhado por sinais exteriores de amizade, a conversa, que leva a um entendimento maior entre os intervenientes.

Resumidamente foi isto que se passou. Mas o facto de ter visto dois cavalos à beira da estrade que mais ninguém viu, e de quase não ter visto outro que até pode ser comprovado fotograficamente deixou-me intrigado.
Em que é que eu estaria pensar?

Escrito por Paulo Emanuel

Um sonho...

Em que é que eu estaria a pensar?

Hoje, mais precisamente agora, acabei de ler a crónica do meu Amigo Paulo Rodrigues.
É com esta frase que ele a termina. E é com ela que me apetece divagar.
Divagar sobre pensamentos que poderão estar dentro da mente do Paulo, da minha ou de outro qualquer.
Bons e maus pensamentos que nos tornam diferentes de todos os outros animais. Isto porque somos os racionais. Embora por vezes, tenhamos tantos pensamentos quase que irracionais.
Mas, como dizia o filósofo: "Eu penso, logo existo". E nesta existência de pensamentos, poderemos sonhar. E porque o sonho comanda a Vida, é bom sonharmos com um passeio.

Um passeio com Amigos. Amigos que se encontram porque se sentem bem juntos. Que passeiam, que partilham sabores, que contam histórias, que riem juntos, que se emocionam, que se enriquecem mutuamente e tornam a AMIZADE num dos pilares mais importantes da nossa existência. E é esta partilha que nos relembra memórias, vivências, atitudes e emoções.
Se calhar era nisto tudo que o Paulo pensaria. Ou apenas e só numa: na AMIZADE.
E é com tudo isto que as pessoas se tornam:

AMIGOS PARA SEMPRE...

Pronto, já divaguei e aqui apetece-me colocar a musica: "Amigos para sempre"

Escrito por Cristina Reina

12 cascos de amizade

Quem ler não entenderá. Quem ler não perceberá que esta nota foi criada numa roda de amigos. Que um falou de cavalos e o outro divagou sobre o que falou o primeiro. Que me resta agora? Onde situar três cavalos, sendo que dois parecem conversar num ervado sem préstimo, porque a sua busca não é alimentícia, e um outro se queda só, em lugar para si impróprio?

O anterior amigo falou de um sonho. Oh desafio sem gozo porque sonhar é comigo. Afinal...

Três cavalos em lugares diferentes vêem diferentes pessoas que, em máquinas com cavalos mas sem que por elas puxem, se arrastam ruidosamente por caminhos negros e serpenteantes. Com equídeos pensamentos, matutam: para onde se dirige esta raça que se cruza nas estradas sem nunca se encontrar? A que reino animal pertencerão eles que tanto falam sem se entenderem a si próprios? Que buscarão eles quando à sua volta está o mar e os campos, as flores e os cheiros, os cantos sublimes da natureza? Nós somos apenas cavalos. Quando a um de nós apetecer, pode afastar-se, ruminar até, como um velho senil, que está farto dos outros dois. Sentir sozinho o silêncio porque nessa hora lhe pertence.

E os carros continuarão rolando, as vozes à volta soltar-se-ão sem futuro eterno. Os dias serão iguais.

Só nós cavalos os sabemos diferentes. Porque quando chegar o crepúsculo, quando o sol se rasgar pela linha do horizonte, um cavalo encontrará os outros dois. Que esperavam um. E depois, à maneira de um sorriso feito de crinas despenteadas, de cascos a raspar um solo que é só seu, os três seguirão juntinhos com três alegres caudas levemente batidas pelo vento. Como três amigos, que se acreditam para sempre, só não se dão as mãos porque sabem que as não têm. Ainda que saibam muito bem que a amizade não necessita de mãos reais.

E quando a noite se instala, são três cavalos repousados, quase lânguidos, que serenamente dormem sem sequer recordarem o movimento de gente que por si passou. Na sua mente só as suas próprias imagens ocupam o espaço, tão pequeno e tão grande, de um mundo de amigos.

Escrito por João J. A. Madeira





Fotos tiradas em Porto do Dinheiro, Peniche

1 comentário:

  1. Depois de ler esta sequência de perspectivas e textos, apeteceu-me comentar. Mas comentar o quê? É que eu própria escrevi um texto. E se calhar, ficar-me-à mal dizer bem porque sou suspeita. Ok. Não comento. Apenas digo uma coisa. Hoje estamos a 20 de Julho de 2010, são 21:30 e pelos vistos, comemora-se o Dia Internacional da Amizade. Ao ler estes textos, uma coisa me salta à vista e me faz dizer: VIVA A AMIZADE E BEM HAJAM OS AMIGOS

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