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quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Guadiana 2010 - descida em canoa - parte 6 (epílogo)

Acabadas as alarvidades, vamos falar de coisas sérias, sobre os diversos locais por onde passámos.
Comecemos pelo centro da acção, o rio...

Rio Guadiana

Dizem que havia um pastor
antre Tejo e Odiana,
que era perdido de amor
per ua moça Joana.
(Bernardim Ribeiro,
Écloga de Jano e Franco)



O Rio Guadiana visto do Pomarão

O Guadiana é um rio internacional, o quarto maior da Península Ibérica.
Com quase todos os rios há divergências quando à localização exacta das suas nascentes e o Guadiana não foge à regra. Há quem diga que nasce nas lagoas de Ruidera, na província espanhola de Ciudad Real, depois infiltra-se num curso subterrâneo e volta a reaparecer nos Ojos del Guadiana, no município de Villarrubia de los Ojos. Certo é que tem um comprimento que ronda os 820/830 km.

Serve de fronteira entre Portugal e Espanha por duas vezes, primeiro entre Caia e Monsaraz e depois entre Pomarão e a foz que se situa entre Vila Real de Santo António e Ayamonte.

No tempo dos romanos tinha o nome de Anas (que significa “dos patos”). Os árabes juntaram-lhe a palavra uadi (rio em árabe) passando a ser conhecido por Uadi Ana, ou rio dos patos. Durante alguns séculos o nome português era Uadiana, que depois derivou para Odiana.
O nome actual surge a partir do séc. XVI por influência espanhola. Os espanhóis transformaram a raiz árabe uadi em guadi, prefixo que têm outros rios espanhóis, como Guadalajara, Guadalquivir, etc.

Dois dos muitos patos avistados no rio
durante a descida

É um rio navegável até cerca de 80 km da foz. É um rio de contrastes, que alterna períodos de grande estiagem com cheias desastrosas. A mais famosa de todas ocorreu em 1876, em que o rio subiu em Mértola, 28m acima do nível da preiamar.

Mértola

A vila de Mértola, é a sede do município com o mesmo nome, um dos maiores do país, com 1.279,40 km2. Pertence ao distrito de Beja e é limitado a norte pelos municípios de Beja e Serpa, a leste por Espanha, a oeste por Almodôvar e Castro Verde e a sul por Alcoutim.

O castelo de Mértola

A vila fica situada na margem direita do rio Guadiana, imediatamente a montante da foz da ribeira de Oeiras.
Segundo o censo de 2001 a vila tinha 3.100 habitantes e o concelho 8.712.

No tempo dos romanos tinha o nome de Myrtilis Iulia, foi depois ocupada pelos visigodos e pelos muçulmanos, tendo nesta altura o nome de Mārtulah. Era um importante porto de rio, que dominava o Guadiana do alto do seu castelo; só seria conquistada aos Mouros no tempo do rei D. Sancho II, pelo comendador da Ordem de Santiago, Paio Peres Correia, em 1238.

Pomarão

Pomaráo é uma aldeia do concelho de Mértola, que segundo o censo de 2001 tinha 863 habitantes.
Fica situado na margem esquerda do Guadiana, na confluência com rio Chança, que faz fronteira com Espanha.

Restos do cais mineiro em Pomarão

A aldeia teve origem nos anos de 1859 e 60 depois de os proprietários das minas de S. Domingos terem decidido construir uma linha de caminho de ferro que ligava a mina ao Guadiana, para embarque do minério.
Foi uma das primeiras linha de caminho de ferro portuguesas, construída em 1858, apenas dois anos depois do troço Lisboa – Carregado, e esteve em funcionamento até à década de 1970.
Ainda são visíveis hoje em dia restos do antigo cais mineiro.

Em Fevereiro de 2009 foi inaugurada a Ponte Internacional do Baixo Guadiana, sobre o rio Chança. Para se chegar à povoação espanhola mais próxima, El Granado, era preciso percorrer 140km, com esta nova ponte a distância passou a ser de apenas 12km...

Alcoutim

Alcoutim é uma vila sede do município com o mesmo nome, com 576,57 km2, pertencente ao distrito de Faro. Segundo dados de 2006 a vila tem cerca de 1100 habitantes e o concelho 3272.
É limitado a norte pelo município de Mértola, a leste por Espanha (rio Guadiana), a sueste por Castro Marim, a sudoeste por Tavira e a oeste por Loulé e Almodôvar.

A vila de Alcoutim

A origem da povoação remonta ao Calcolítico, com a fixação de uma tribo celtibérica. No início do séc. II A.C. Foi ocupada pelos romanos que lhe deram o nome de Alcoutinium, de onde provém o nome actual. Foi posteriormente conquistada pelos Álanos e pelos Visigodos. Foi fortificada no início do séc. VIII quando passou para o domínio dos mouros.

Foi conquistada em 1240, no reinado de D. Sancho II e em 1304 D. Dinis deu-lhe um foral e mandou reeditar as muralhas e o castelo.


Sanlúcar de Guadiana

Em frente a Alcoutim fica a povoação espanhola de Sanlúcar de Guadiana. Existem uns pequenos barcos que fazem a travessia de pessoas entre as duas povoações.
Sanlúcar é um município pertencente à província de Huelva, com 96,5 km2 de área, e que segundo dados de 2007 teria 378 habitantes.

Sanlúcar de Guadiana e o seu castelo

A sua origem remonta à ocupação árabe, em que alguns grupos muçulmanos ocuparam estas terras sob protecção do reino taifa de Niebla.
O núcleo actual da povoação teve origem na conquista destas terras aos árabes pelo rei português D. Sancho II. Com o tratado de Badajoz em 1267 fixaram-se provisoriamente os limites dos reinos de Portugal e Castela e o rio Guadiana foi escolhido como elemento físico significativo para estabelecer essa fronteira.
O castelo de San Marcos sobranceiro à vila foi co
nstruído em 1642 devido à guerra da independência portuguesa, para defesa da vila, que não obstante foi ocupada militarmente por Portugal algumas vezes.

Puerto de La Laja

Durante o segundo dia da descida em canoa parámos a meio do percurso perto desta povoação espanhola.

Puerto de La Laja e o que resta dos silos de mineral

Puerto de La Laja é um antigo porto mineiro, semelhante a Pomarão e seu contemporâneo.
Situa-se na margem esquerda do Guadiana poucos quilómetros a jusante de Pomarão e pertence ao município de El Granado, província de Huelva.

Servia de porto para o escoamento do minério das minas de Cabeza del Pasto e posteriormente de Las Herrerias, o qual chegava até aqui através de uma linha de caminho de ferro de 32 km de extensão concluída em 1888, e que se manteve em actividade até 1965.

Saramugo

Para terminar temos o saramugo. Na segunda noite, em Pomarão, eu e o Carlos fomos dormir para um barco ancorado no cais e que tinha esse nome. Por curiosidade, quando regressei resolvi procurar o que seria um saramugo, e descobri que é um... Anaecypris hispanica.

Um saramugo

Pois é, o saramugo é um peixe. Uma espécie endémica da bacia do Guadiana, o que significa que não existe em mais parte nenhuma do mundo.
É um peixe que está em perigo de extinção, e por isso referido nos Livros vermelhos de vertebrados de Portugal e Espanha.

É o peixe mais pequeno da bacia do Guadiana, raramente ultrapassa os 7 cm de comprimentos, e vive cerca de 2 anos. O corpo é estreito e achatado lateralmente, com a cabeça pequena e olhos relativamente grandes. Tem uma cor prateada no ventre, castanho claro na zona dorsal e quase amarelo nas partes laterais. Alimenta-se de invertebrados minúsculos, algas e diversos detritos.
Curiosamente nunca foi detectado no troço principal da bacia hidrográfica, ou seja no rio Guadiana propriamente dito.
Em Portugal foi encontrado nas seguintes ribeiras, todas elas afluentes do Guadiana: Xévora, Caia (a montante da albufeira), Álamo, Degebe, Ardila, Chança (a montante da albufeira), Carreiras, Vascão, Foupana e Odeleite (a montante da albufeira).
Estão em curso acções conjuntas de Portugal e Espanha para evitar o sério risco de extinção que corre.

Quanto ao barco que nos serviu de quarto de hotel, e cujo nome despertou a curiosidade para esta pesquisa, trata-se de uma embarcação transformada para passeios fluviais pertença da Associação de Defesa do Património de Mértola.
Tem a designação de Ecoteca fluvial. Para quem não sabe, uma Ecoteca é um espaço didáctico e pedagógico, aberto a todos os cidadãos, onde é privilegiada a informação, a sensibilização e a formação sobre o ambiente.


A informação constante desta nota foi recolhida junto das seguintes fontes:

http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%A1gina_principal
http://www.adpm.pt/
http://www.iambiente.pt/rea99/docs/31instefs.pdf
http://gomestorres.blogspot.com/2007/10/o-que-um-saramugo.html
http://www.triplov.com/galopim/guadiana/pages/aaa.htm

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Guadiana 2010 – descida em canoa – parte 3

Domingo - de Pomarão a Palmela, passando por Alcoutim

Domingo, novamente o acordar com o nascer do dia, devido à claridade. Logo bem cedo tivemos a companhia do Jorge que também madrugou e veio conhecer as nossas instalações.

O quarto da "Pensão Saramugo"
(foto Jorge Completo)

Antes que a confusão se instalasse resolvi ir tomar banho. De água fria, pensei. O tal café onde nos foi servido o almoço ontem e onde decorreu o concerto à noite parece ser o centro de tudo nesta terra. Tem umas casas de banho públicas, que incluem chuveiros. Afinal, apesar de ainda não serem oito horas da manhã, o calor acumulado durante o dia no depósito (ou nas canalizações, não sei bem) fez com que a água fria... estivesse morna. Nada mau.

Depois de um pequeno almoço idêntico ao anterior e servido nas mesmas condições, preparámo-nos para nova partida. Desta vez com um atraso menor.

A partir daqui estaremos em águas internacionais, a margem direita do rio é portuguesa e a esquerda espanhola. Não há grandes diferenças em relação ao dia de ontem no que diz respeito à paisagem Quanto à nossa progressão, talvez pelo cansaço os ritmos sejam quase todos mais lentos e por isso as distâncias entre as diversas canoas sejam relativamente menores.

A meio caminho uma paragem pare descanso e reagrupamento, na margem espanhola, junto à aldeia de Puerto de La Laja, um antigo porto mineiro semelhante a Pomarão.

Puerto de La Laja
(foto Jorge Completo)


Quase em frente, portanto na margem portuguesa do rio, há um curioso afloramento rochoso a que chamam “A biblioteca”. Trata-se de uma escarpa de rocha quase na vertical, sulcada por múltiplas fendas verticais que lhe dão o aspecto de livros arrumados numa prateleira.

A pedra da "Biblioteca"

Nova partida, desta vez para o troço final. A única diferença visível foi o aparecimento de vento, muito vento contra. Antes de chegarmos começou a fazer-se sentir o efeito da mudança da maré, o que aliado ao vento contra dificultava a progressão.
Como o aspecto psicológico conta muito, o aproximar do fim dava forças extra para compensar as que se perdiam com o acumular do cansaço.

Quando nos aproximámos do Alcoutim hesitámos em parar primeiro em Sanlúcar de Guadiana ou ir directamente para o cais final. Avistámos algumas canoas do lado espanhol e fomos até meio do rio tentar ver se seria alguém do nosso grupo. Não conseguimos ver ninguém conhecido e por isso voltámos a virar a proa para o cais de Alcoutim.
Afinal estavam alguns dos nossos amigos em Sanlúcar e ficaram chateados porque até nos chamaram e nós fomos embora.
Conclusão: o cansaço provoca perda de visão e de audição.

Ao fim de dois dias aportámos sãos e salvos ao cais de Alcoutim, dando por terminada a parte marítima da nossa viagem. Faltava a parte terrestre até casa.
Depois de arrumada a canoa, as pagaias e os coletes, fomos ao banho nos balneários públicos que existem no cais. Era hora de subir até ao castelo onde seria servido o último almoço.
De todas as refeições esta foi a pior para mim, gaspacho não é a minha especialidade e quanto às sardinhas, estou à espera que inventem sardinhas transgénicas, sem espinhas.

Almoço no Castelo de Alcoutim

Ainda houve tempo para um café e um pouco de descanso num miradouro que existe abaixo da castelo, antes de nos fazermos à estrada para a viagem de regresso, a qual decorreu sem problema nenhum.

No nosso grupo houve três maçaricos nestas andanças, o Quim, a João e eu, acho que todos nós ficámos clientes e que nos voltaremos a encontrar aqui em 2011.

Até para o ano, amigos!

(Mais fotos da viagem podem ser vistas em http://picasaweb.google.com/paulo.e.c.rodrigues )

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Guadiana 2010 - descida em canoa, parte 1

6ª feira - De Palmela a Mértola, passando por Alcoutim

"Guadiana dum cabrão
Nan te ficas a rir de mim
Porque ê com a pagaia na mão
Fui de Mértola a Alcoutim"

(Paulo Emanuel, Agosto 2010)
(ler com sotaque alentejano)


Não me afoguei, mas afoguei as mágoas. Esta foi talvez a maior ilação que tirei destes três dias fantásticos por terras de além Tejo.
A actividade física e o desporto sempre fizeram parte da minha natureza, e os últimos anos passados na cidade do Porto sem qualquer actividade têm-me complicado o sistema nervoso. Esta descida serviu para reavivar as memórias, e devolver o gosto já esquecido da actividade ao ar livre. Agora que se aproxima a passos largos a hora do regresso a Sintra, sinto que ainda tenho força suficiente para dar duas seguidas. E hei-de voltar a dar, duas voltas seguidas ao quarteirão, a correr.

O Carlos deu a melhor definição que ouvi para as descidas do Guadiana organizadas pelo Clube ATC Aventura: um misto de vida no campo e Liga dos últimos.

Considero a definição absolutamente apropriada. Não só porque efectivamente se tratou de uns dias de vida no campo, mas acima de tudo porque os conceitos de companheirismo, entreajuda e solidariedade, mais condizentes com o estilo de vida de de quem vive no campo do que entre quem vive na cidade, estiveram de facto presentes entre todos. Bom, entre quase todos. A presença habitual de um grupo de vuestros hermanos (sim, que nuestros eles não são de certeza) corre o risco de se transformar num grave incidente diplomático.
Na Liga dos últimos, mais do que jogar por dinheiro, ambição ou fama, joga-se pelo prazer de jogar e com satisfação. E foi assim que todos acabaram mais esta descida do rio Guadiana em canoa: com satisfação pelo prazer que tiveram no convívio de dois dias com os amigos.

A descida em canoa propriamente dita foi apenas de dois dias, sábado e domingo, mas na 6ª feira já estávamos em estágio, a preparar o fim de semana. Os músculos, com maior ou menor dificuldade, superariam as agruras da descida, e caso não aguentassem, lá estavam os barcos de apoio. Agora o estômago...

A partida de Palmela ocorreu mais ou menos à hora prevista, e a viagem decorreu normalmente, com a primeira paragem a ser feita em Santa Margarida do Sado, onde estava marcado um encontro com uns torresmos. Voltámos de novo à estrada, desta vez para seguirmos até Alcoutim, final da descida e local onde iriam ficar os carros.
Não sei se é verdade ou não a anedota que diz que no Alentejo os restaurantes fecham para almoço, mas mesmo que fechem, à hora que chegámos, 15h, já estariam de novo abertos e com almoço disponível ainda para nos servirem.



O almoço em Alcoutim / Sanlúcar de Guadiana visto de Alcoutim




O rio Guadiana em Alcoutim / A travessia para Sanlúcar de Guadiana



Como o autocarro que nos levaria até Mértola só chegaria ao final da tarde, tivemos tempo para atravessar o rio e ir até Sanlúcar de Guadiana. Na barca que faz a travessia aconselharam-nos a ir ao café do Zé Maria e pedir cerveja em “vaso de barro”. Não foi difícil encontrar o café do Zé Maria, demos uma volta pela terra e só encontrámos um café mesmo, teria que ser esse. No final houve um vaso de barro que fez questão de nos acompanhar no regresso. Foi amor à primeira vista, parece.
Nenhuma viagem turística ficaria completa sem a presença de alguns pacotes de açúcar. De Espanha trouxe um pacote de exportação da Delta que ainda não tinha.




Alcoutim visto de Sanlúcar de Guadiana / À mesa com os vasos de barro






No regresso a Alcoutim

Contrariando as expectativas, o autocarro que nos levaria a Mértola era quase último modelo. Ouvi relatos de que em anos anteriores o meio de transporte disponibilizado parecia saído de um filme de história e demorava quase uma hora a percorrer os 38km do trajecto. Nesse período de tempo estavam incluídas paragens a pedido dos passageiros para se alijarem dos restos da cerveja. Com este autocarro, o trajecto foi tão rápido que não justificava qualquer paragem.




O autocarro para a viagem até Mértola

Com a chegada a Mértola ia começar a aventura propriamente dita. Tempo de encontrar os organizadores, fazer um reconhecimento ao local e procurar o melhor sítio para passar a primeira noite.

Os preparativos resumiam-se em encontrar um local onde colocar os sacos-cama e aguardar pelo jantar. A tarde já estava quase no fim mas houve ainda tempo para quem quis ir tomar banho, principalmente as crianças presentes, quase todas espanholas.

Os novatos tiveram logo ali a demonstração de como as coisas funcionam: a camioneta de caixa aberta chega, as geleiras são alinhadas no chão fazendo as vezes de mesa, onde são colocados os tabuleiros com a comida e os restantes utensílios, como pratos, talheres, copos, etc, e todos se servem, comendo e convivendo ali mesmo.




O rio Guadiana em Mértola / A vila e o castelo






O hotel com a sala de refeições e os quartos / A ala sul já ocupada pelos espanhóis







Fazendo as camas / O paredão que dá para o rio






Um banho antes de jantar / A sala de refeições sendo preparada






O paredão de Mértola ao entardecer

No fim do jantar, uma subida à vila para tomar um café. Encontrámos um bar com música ao vivo, e para grande surpresa, pelo menos minha, assistimos a uma excelente actuação da dupla Margarida Campelo e Inês Sousa, interpretando ao piano e na voz respectivamente, temas de Tom Jobim e de blues americanos. Quem julga que no Portugal profundo se ouve apenas música pimba (o que quer que isso seja) e folclore, engana-se.




Terra de (boa) música ao vivo






Depois do café, uma volta pela 24 de Julho lá do sítio e mais uma cerveja para aconchegar o estômago para a noite que se avizinha. De passagem ainda contemplámos na parede da câmara municipal a placa de indica a altura a que subiu a água nas cheias de 1876. Parece incrível, mas essa placa está algumas dezenas de metros acima do nível actual do rio.

De volta às origens, preparámo-nos para tentar dormir. Faltou referir que a camioneta dos mantimentos vinha acompanhada de duas enormes colunas que começaram a debitar música à hora do jantar, e havia o receio de que pudessem continuar pela noite fora. Acho que só se calaram lá para as duas ou três da madrugada.

Pior do que isso foi uma tenda que estacionou a uns dez metros de nós e que tinha la dentro o que parecia ser uma motoserra, e essa sim, esteve ligada a noite toda.
Além da dureza do cimento do chão tivemos ainda a companhia sempre agradável das formigas.

(Mais fotos da viagem podem ser vistas em http://picasaweb.google.com/paulo.e.c.rodrigues )